Jose Antonio Lourenço Jose Antonio Lourenço, As convicções do crente

As convicções do crente

Rute 1:1-22

As nossas convicções em Deus e na sua palavra são muito importantes! Elas ordenam a nossa conduta, dão fervor à nossa oração, dão conteúdo ao nosso louvor e adoração. A nossa fidelidade a Deus depende das nossas convicções. A nossa fé, o nosso amor, a nossa contribuição têm por base as nossas convicções.

Há crentes com convicções fortes e crentes com convicções fracas. Os primeiros são marcos na Igreja, os segundos são pedras rolantes que não estão firmes nem dão firmeza aos outros.

Por isso, analizemos a importãncia das convicções para a nossa vida espiritual.

O que são as convicções?

As convicções são o produto das doutrinas bíblicas assimiladas e fundidas na nossa alma. Elas são formadas por porções da verdade e absorvidas pela nossa personalidade.

A convicção é mais do que crer - nós podemos crer agora e duvidar depois. A convicção é uma certeza permanente.

A convicção resulta das verdades experimentadas: (a) Quando ouvimos o Evangelho, cremos e fomos salvos, mas ainda não tínhamos convicção; depois de experimentarmos a salvação, adquirimos a convicção de que Deus salva e começamos também a anunciar a salvação aos outros. (b) A cura divina dá-se pela fé; a convicção de que Deus cura vem depois de experimentarmos a cura divina pois só então podemos afirmar com convicção que Deus nos cura. (c) A resposta ás orações dá-se pela fé; a convicção vem depois. (d) A fé alcança o cumprimento das promessas; a convicção de que Deus é fiel e cumpre as Suas promessas vem depois do seu cumprimento.

Assim, a convicção é a fé reforçada pela experiência.

As convicções são formadas com as verdades que nós experimentamos.

As convicções são verdades divinas incorporadas no nosso ser - elas fazem parte integrante da nossa vida.

A Bíblia diz: «e eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho…» (Apoc. 12:11).

Aqui temos a Palavra experimentada e vivida pelos crentes. Ao sair da sua boca, ela é como um tiro de canhão sem recuo que deita o inimigo por terra. A Palavra de Deus que sai da boca do crente ganha a força e o poder da sua convicção. Mas numas bocas a Palavra de Deus é valorizada enquanto que noutras bocas pode ser desvalorizada. Por exemplo, os filhos de Ceva falaram a Palavra de Deus usando a convicção de Paulo e o valor foi negativo (At. 19:13-16).

Conhecimento não é o mesmo que convicção. Podemos aprender pela Bíblia que «o Senhor é bom e misericordioso», mas só teremos convicção quando experimentarmos a sua bondade e misericórdia.

A emoção e a convicção têm pouco em comum

A emoção altera-se com as circunstâncias; se estas forem boas, as emoções são positivas, se forem más, as emoções são negativas. A convicção é estável, não se altera com as circunstâncias.

A emoção reage com o grupo; convicção, ao contrário, não reage com o grupo, é sempre individual. A emoção transmite-se ( uma pessoa a chorar, põe os outros a chorar); a convicção não se transmite e também não se herda. Ela é construída pouco a pouco pelo crente. É pessoal e intransmissível.

A emoção não produz convicção, mas a convicção pode produzir emoção.

As nossas convicções bíblicas são o nosso maior tesouro

Rute era uma jovem de convicções. Orfa não o era. As convicções constituiram a diferença entre elas. Rute distinguiu-se pelas suas convicções. Apesar de ser estrangeira, ela tornou-se bisavó de David e entrou na linhagem directa de Jesus Cristo, deixando uma brilhante história e um livro na Bíblia com o seu nome. As suas convicções levaram-na a deixar a nação idólatra de Moabe para se integrar no povo do Senhor. Rute alcançou um lugar de glória no Céu!

Orfa teve as mesmas oportunidades, viu e ouviu as mesmas coisas mas não adquiriu convicções. Passou pela vida sem viver. Existiu sem deixar marcas. Morreu sem deixar história. Caiu, provavelmente, apática no inferno.

Assim é também com os crentes. O que distingue os crentes uns dos outros não é a idade, o dinheiro ou a sua cultura; são as suas convicções!

É importante termos convicções fortes. Pois no Céu ninguém entra pela mão nem empurrado - entra-se apenas pela força da convicção (Mat. 11:12).

A importância das nossas convicções

As convicções são a força motriz da nossa vida

Pelas convicções vamos ao culto, cantamos, oramos, adoramos e contribuímos. Por elas seguimos o Senhor e deixamos o mundo pecaminoso. Através delas carregamos a nossa cruz e negamo-nos a nós mesmos. Por elas pagamos os nossos dízimos e damos ofertas alçadas. Por elas oramos em nossa casa, a sós com Deus. Pelas convicções damos testemunho da nossa fé.

Ou seja, toda a nossa vida cristã está assente e se move pelas convicções.

As convicções tornam os crentes colunas da Igreja – Gal. 2:9

Todos os crentes salvos são pedras vivas na Igreja (1 Ped. 2:5), mas nem todos são colunas. A diferença está nas convicções. Jesus tinha doze discípulos mas só três eram considerados «colunas» : Pedro, Tiago e João (Gal. 2:9).

São as colunas que seguram a Igreja quando vem um vendaval! O telhado pode ruir com o temporal, os tijolos e as pedras também podem ser arrastados. Mas as colunas ficam no seu lugar, estão ancoradas nos alicerces com ferro de aço! Podem-se torcer, podem-se quebrar, mas não saem do sítio! A coluna morre de pé no lugar do ataque!

Deus tem um galardão especial para essas colunas (Apo. 3:12). Elas também serão colunas no Céu. Que posição de destaque e de glória!

As convicções são a força das nossas motivações

O que se faz sem convicção é fraco e terá pouco valor e pouca recompensa. Mas o que se faz com convicções bíblicas resulta em grande e avultado galardão.

A Bíblia diz, «qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, (…​) não perderá o seu galardão.» (Marcos 9:41) Portanto, valor não está tanto na acção em si, mas sim na convicção e motivação do doador. Ou seja, aquela acção ganha mais valor quando é feita em nome de Cristo e aos seus discípulos.

As nossas contribuições (dízimos e ofertas alçadas) ganham valor pela nossa convicção e motivação.

O nosso serviço para Deus vale pela motivação que é originada pela convicção. Não trabalhamos para ser vistos, para sermos honrados pelos homens ou para sermos pagos, mas servimos ao Senhor com gratidão e pelo seu galardão.

As convicções fazem-nos fiéis, mesmo sozinhos

É fácil ser fiel em grupo, na Igreja, no culto. É mais difícil ser fiéis quando estamos sozinhos.

Grande parte da nossa vida cristã passamos sozinhos: no trabalho, na escola, na vizinhança, etc. Aí não temos o pastor por perto, nem a Igreja ou os irmãos. Estamos sós com as nossas convicções. O Diabo com a sua astúcia, procura atacar-nos quando estamos mais vulneráveis, quando estamos sozinhos.

A Bíblia relata grandes vitórias de pessoas sozinhas bem como grandes derrotas de pessoas sozinhas – a diferença foram as suas convicções. Por exemplo, Eva caiu quando estava sozinha. David caiu numa tentação terrível quando estava sozinho. Pedro negou o Senhor quando se encontrou sozinho.

Quando estamos sozinhos, são as nossas convicções que nos seguram, que nos guardam e nos fazem vencer. Se as nossas convicções forem fracas ou não existirem, só estaremos seguros em grupo. Sozinhos, a derrota é certa.

Arão, ao liderar sozinho, foi um fracasso (Ex. 32:1-4). Joás, foi bom rei quando amparado pelo sacerdote Joiada, mas quando ficou sozinho foi um desastre e tornou-se idólatra. Isto porque não tinha as nossas convicções (2 Reis 12:2). Judas Escariotes, parecia crente no meio do grupo; mas sozinho vendeu o Senhor por trinta moedas… Orfa, enquanto esteve no grupo, era crente em Deus.

Possivelmente participava do culto doméstico de Elcana com a família. Ouvia as histórias, cantava os salmos, participava nas orações. Parecia crente como a Rute. Mas quando ficou sozinha voltou ao seu povo e aos seus deuses (Rute 1:9-15).

Os crentes sem convicções agem e reagem em grupo. Fazem o que os outros fazem, vão para onde os outros vão. São as Marias que vão com as outras. Não se salientam. Não se distinguem. Também não discordam.

Os crentes com convicções são iguais no grupo ou fora do grupo. Permanecem no grupo se o grupo estiver sintonizado com a Bíblia. Mas ficam sozinhos dentro do grupo se o grupo sai dos moldes bíblicos, e discordam. Estes crentes distinguem-se pelas suas convicções.

Rute tinha convicções fortes (Rute 1:16). Quando teve que decidir, fê-lo com as suas convicções. Quando teve que caminhar sozinha, continuou fiel e virtuosa. Foi sozinha ao campo, foi sozinha ao encontro de Boaz (Rute 2:2, 3:3). Dentro ou fora do grupo, ela era a mesma.

As convicções são a Bíblia dentro de nós. Fundida na nossa alma. Mesmo que esqueçamos a bíblia em casa, as convicções vão connosco. Quando as tentações surgem, as convicções permanecem em nós.

Como estão as nossas convicções?

Que diferença tem para nós Deus e os ídolos? Como reagimos à idolatria? Que significa para nós a Bíblia? Como estamos em relação ás doutrinas bíblicas fundamentais sobre Jesus Cristo, sua Pessoa e Obra, o Espírito Santo, sua Pessoa e Obra? Que valor tem para nós a Igreja? Como é a nossa assistência aos Cultos? Como encaramos o pecado? Como está a nossa consagração e comunhão com Deus?

Imaginemos uma perseguição terrível à Igreja - crentes presos, igreja fechada, martírio, etc… Que faria eu, que farias tu? Daríamos a nossa vida por Cristo ou negá-lo-íamos?

É no aperto, nas aflições, no sofrimento que se conhecem as convicções!

Como tratar as nossas convicções

É muito perigoso não ter convicções ou ter convicções fracas. A Bíblia diz que há crentes que são meninos toda a vida - não crescem, só lêem romance evangélico (Ef. 4:14). É preciso inverter esta situação e preocupar-se com estudar as doutrinas bíblicas, as grandes verdades da nossa santíssima fé, para começar a construir convicções.

Se tu és um novo convertido, desenvolve o teu conhecimento bíblico e as tuas experiências com Deus. Lê diariamente uma boa porção da Palavra de Deus, promove a tua vida de oração, sê fiel aos cultos, principalmente os de oração e estudo bíblico. Começa a criar já as tuas convicções.

Se tu és um crente antigo com fracas convicções, algo está errado com a tua vida cristã. Possivelmente lês e meditas pouco na Palavra de Deus, oras pouco, ou faltas aos cultos. Nesse caso, tu estás em perigo! A Bíblia diz, «Desperta tu que dormes e Cristo te esclarecerá». Ainda é possível colocar estacas, antes que a casa caia.

Se tu és um crente de convicções, tu crês e sabes porque crês. Tens experiências abundantes com Deus. Os ventos de doutrinas variadas não te movem… Tu és um tesouro para Deus. És uma joia divina, brilhante num mundo de trevas! As tuas convicções fazem o teu louvor e adoração superior aos dos Anjos. O Diabo e o Inferno tremem quando tu abres a boca.

Há no Céu um lugar muito especial para ti (Dan. 12:3). Deus tem reservadas honras especiais para os crentes de convicções fortes. Possivelmente serás também uma coluna no Céu. Assim como há hierarquia entre os anjos, acredito que também haverá hierarquias entre os crentes no Céu baseada nas suas convicções e fidelidade - a parábola dos talentos indica isso. Os crentes de convicções irão assumir postos de governação no Milénio e terão serviços especiais no Céu eternamente!

A Deus toda a gloria!

Publicado em 2017-08-21

Para Trás

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