Jose Antonio Lourenço     Jose Antonio Lourenço, A nossa reconciliação com Deus

A nossa reconciliação com Deus

Rom. 5:10

«Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.»

A morte do Senhor Jesus na Cruz, foi o acontecimento mais importante da história da humanidade, só comparável à sua ressurreição e à sua 2a Vinda. Os efeitos alcançados pelo Calvário são de tal ordem grandiosos que nos deixam extasiados:

  • O perdão dos pecados

  • A regeneração do pecador (Novo nascimento)

  • A entrada do Espírito Santo no coração do novo crente

  • A reconciliação com Deus Pai

  • A vida eterna que passa a ser posse do salvo

  • O sermos feitos filhos de Deus e seus herdeiros

  • A paz, a esperança, a alegria, a fé e por fim vivermos com Deus no Céu eternamente

Tudo isto, são efeitos da morte de Jesus Cristo no Calvário.

Hoje queria estudar convosco sobre um efeito do Calvário que é: A nossa reconciliação com Deus.

A nossa reconciliação com Deus foi um dos efeitos mais grandiosos para a nossa vida. Antes da reconciliação, éramos seus inimigos. Vivíamos de costas voltadas para Ele, eramos filhos da ira. Vivíamos afastados D`Ele, caminhando para o juízo e perdição eterna.

A reconciliação «…​com Deus, pela morte de seu Filho…​» mudou toda esta situação terrível, para uma situação maravilhosa!

Passámos de inimigos de Deus, para amigos, filhos amados. A reconciliação estabeleceu o nosso relacionamento com Deus. Deixámos de estar de costas voltadas para Ele, para estarmos de coração aberto e desejar mais e mais D`Ele.

A reconciliação voltou o coração de Deus para connosco e voltou o nosso coração para Deus, e tudo isto porque o Senhor Jesus Cristo deu a sua vida por nós na cruz do Calvário.

A Bíblia diz em Rom. 5:10: «…​fomos reconciliados com Deus, pela morte de seu Filho…​»

O tempo da inimizade

«…​Porque nós, sendo inimigos…​» Rom. 5:10

Antes de sermos salvos e perdoados, eramos inimigos de Deus. Vivíamos separados de Deus e de costas voltadas para Ele. Os nossos pecados faziam separação entre nós e Deus.

O diabo, explorando a nossa fraqueza e desamparo, acorrentou-nos e aprisionou-nos cada vez mais ao pecado e levou-nos a clamar aos ídolos, que não nos podiam ajudar, antes nos afastaram mais do Senhor nosso Deus pelo pecado da idolatria.

Eramos chamados «filhos da ira» (Ef. 2:3), não tínhamos qualquer ligação com Deus, não falávamos com Ele, tínhamos medo D`Ele. O tempo da inimizade com Deus foi terrível, muito perigoso e mau para nós. O pecado estava arruinando a nossa vida, dia a dia, cada vez mais. Cada vez estávamos mais longe de Deus e Deus mais longe de nós. Caminhávamos para a perdição eterna. Se a morte nos tivesse apanhado, já estávamos nas antecâmaras do inferno.

A Bíblia descreve a nossa situação nestes termos: Ef. 2:3 «Entre os quais todos nós também outrora andávamos nas cobiças da nossa carne, fazendo as vontades da carne e dos pensamentos, e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.»

Foi a monumental obra da nossa reconciliação com Deus, ganha por Jesus Cristo na Cruz do Calvário, que mudou totalmente esta situação. Como a Bíblia diz: «…​fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho…​»

O que é a reconciliação?

A reconciliação significa: restabelecimento da amizade e das boas relações entre as pessoas. Isto é o que acontece a nível humano. Quando as pessoas estão zangadas, de relações cortadas, não se falam, não se relacionam, não se amam e por vezes odeiam-se.

A reconciliação deita abaixo todas estas barreiras. Quando se dá a reconciliação, as pessoas juntam-se, falam umas com as outras, perdoam-se, começam a amar-se e a relacionar-se.

A reconciliação é importante nas famílias, nos cônjuges, entre pais e filhos, entre irmãos, entre vizinhos, na sociedade em geral. Quantos males, desgraças e até mortes seriam evitadas se tivesse havido reconciliação!

A nível divino a reconciliação foi entre nós e Deus e foi muito mais profunda e importante! Passámos de inimigos de Deus - coisa má e perigosa - para filhos amados - coisa boa e vantajosa.

Não falávamos com Deus, nem Deus falava connosco. As relações estavam cortadas. A reconciliação pôs-nos a falar com Deus, a orar, e Deus começou a falar connosco pela sua palavra e pelo seu Espírito Santo.

A reconciliação criou o nosso relacionamento com Deus. Antes não queríamos Deus, não havia relacionamento, tínhamos medo D`Ele e não desejávamos encontrá-lo. Fugiríamos de Deus se o víssemos!

A reconciliação deu origem ao nosso relacionamento com Deus, faz-nos desejar Deus e desejá-Lo mais do que tudo! Que grande mudança, Aleluia!

Nós clamamos como o salmista Sal. 63:1: «Ó Deus, tu és o meu Deus; ansiosamente te buscarei. A minha alma tem sede de ti, a minha alma anseia por ti. Numa terra árida e cansada, onde não há água.»

Slm. 42:1 Como uma corça suspira pelas correntes das águas, Assim a minha alma suspira por ti, ó Deus. A reconciliação pôs-nos em contacto com Deus. Nós provámos que o Senhor é bom e agora não queremos outra coisa. O que nós mais apreciamos e desejamos é a presença de Deus!

Foi a reconciliação que operou esta grande mudança em nós. A nossa grandiosa reconciliação com Deus foi obra do Calvário!

A Bíblia diz em Rom. 5:10-11: «Se, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não só isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem agora temos recebido reconciliação.»

Elementos da reconciliação

Para haver reconciliação verdadeira precisam ter lugar uma série de elementos, a saber:

  • Vontade das partes;

  • Encontro das partes;

  • Precisa haver perdão;

  • É necessário desenvolver um relacionamento.

Estes elementos fazem parte integrante do processo de reconciliação entre as pessoas e também entre estas e Deus.

Em primeiro lugar, tem que haver vontade de ambas as partes.

Basta uma parte não querer reconciliar-se e já a reconciliação não é possível. Se ambas as partes querem reconciliar-se, então é fácil.

Na nossa reconciliação com Deus, teve que haver vontade da nossa parte, porque Deus já tinha manifestado a sua vontade através da sua Palavra.

Isa 1:18-19 «Vinde, então, e argui­me, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. Se quiserdes, e ouvirdes, comereis o bem desta terra.»

A nossa vontade foi manifesta quando nos arrependemos e decidimos aceitar o Senhor Jesus Cristo e o seu sacrifício na cruz.

Outro elemento importante de reconciliação é o encontro.

É necessário haver um encontro entre as partes em litígio. É nesse encontro que se fala, que se dialoga, que se pede e se concede perdão e finalmente se abraça.

Também é assim na nossa reconciliação com Deus. Temos primeiro o grande encontro, quando aceitamos o Senhor Jesus como nosso salvador. Esse foi um grande passo para a reconciliação. Foi a partir daí, que o Senhor Jesus tratou de todo o processo da reconciliação com o Pai.

Lemos no evangelho de S. João:

João 1:12 «Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome.»

É Ele que nos apresenta ao Pai com a nossa vontade sincera, o nosso arrependimento genuíno e a nossa decisão de segui-Lo de todo o coração e pede para o Pai nos aceitar como Filhos, porque Ele, Jesus, já nos aceitou, com base no seu sacrifício.

O terceiro grande elemento da nossa reconciliação com Deus foi o perdão.

Não há reconciliação sem perdão. Por vezes as pessoas reúnem-se para se reconciliarem, mas se não conseguem o perdão não há reconciliação.

Nós fomos perdoados completamente pelo sangue precioso vertido na cruz e isso foi fundamental para a nossa reconciliação.

Lemos na Epístola aos Efésios: Ef. 2:13-16 «Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.»

Deus não podia aceitar-nos com os nossos pecados, estava irritado connosco pelo nosso caminho perverso. Quando a Bíblia diz que: «…​fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho…​»

Isto significa que a morte de Jesus Cristo quebrantou o coração de Deus e O preparou para a reconciliação com os pecadores remidos pela sua morte na cruz. Aleluia!

O perdão de todos os nossos pecados levou Deus a receber-nos de braços e coração abertos e nos aceitar de imediato como seus filhos.

O Calvário fez-nos passar de inimigos, para filhos e herdeiros de Deus e a reconciliação foi o caminho.

Há mais um elemento na nossa reconciliação com Deus: chama-se Justificação.

Rom. 5:1 «Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo».

A justificação divina é um elemento importante na nossa reconciliação com Deus. Jesus Cristo não só nos perdoou na Cruz, mas também nos justificou e isso foi valioso para a nossa reconciliação com o Pai.

Justificação divina significa atribuir mérito, tornar justo, tornar digno, declarar inocente. E isto foi também o que o Senhor Jesus ganhou para nós na Cruz do Calvário.

Através do perdão a nossa dívida foi saldada. Não devemos mas também não temos direitos, porque ainda não fizemos nada para merecer.

A balança ficou equilibrada através do perdão.

Através da justificação recebemos mérito. Jesus tomou os nossos andrajos pecaminosos e deu-nos suas vestes de justiça, tomou a nossa indignidade e revestiu-nos da sua dignidade e do seu mérito, tomou o que era nosso e deu-nos o que era dele.

A justificação fez pender o prato da balança para o nosso lado. A justificação dá-nos direito e ousadia para entrar diante de Deus, pedir e até reclamar as promessas. Torna-nos dignos de sermos aceites e atendidos nas nossas orações.

Quando Jesus nos reconciliou com o Pai, apresentou-nos perdoados e justificados com os Seus méritos, o que nos deu dignidade suficiente para nos adotar e receber como seus filhos.


Outro elemento da reconciliação são os relacionamentos.

Os relacionamentos são importantes para manter a reconciliação.

Antes as pessoas estavam de costas voltadas, não se falavam, não se encontravam. Depois da reconciliação, precisa ter lugar o relacionamento: encontros para falar, contactos para manter a reconciliação viva.

A nossa reconciliação com Deus também é assim. Antes não falávamos com Ele, depois começámos a falar, a orar, a louvar e a adorar. A oração é muito importante na nossa vida, precisamos falar com Deus. Ele também fala connosco pela sua Palavra e pelo seu Espirito Santo.

Começámos a ter encontros frequentes com Deus, no nosso altar de oração e na casa do Senhor, no culto. Estes encontros com Ele são muito salutares, são fruto da reconciliação e mantêm-na.

Efeitos da reconciliação

A nossa reconciliação com Deus «…​ pela morte de seu Filho…​» é um dos maiores tesouros. É a base onde se apoiam todas as grandes bençãos da vida cristã. Quando eramos inimigos de Deus não tínhamos nada de bom, apenas separação e vazio. Agora, já reconciliados, temos tudo: Paz, comunhão, consolo e muitas outras bênçãos.

Rom. 5:10

«Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.»

O primeiro grande efeito foi PAZ.

Rom. 5:1

Ninguém pode ter paz real e verdadeira em inimizade com Deus. A paz brota da reconciliação. Deus é nosso amigo, apresenta-se como nosso Pai Celestial e trata-nos como seus filhos.

Diz-nos na sua Palavra: Mat. 6:25;31­32

«…​não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos? (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas.»

É possível ter paz no meio das crises, porque Deus é bom e cuida de nós. Nós temos paz porque estamos bem com Deus.

Outro grande efeito é o amor.

Rom. 5:5

«…​e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.»

Deus sempre nos amou, mas foi depois da reconciliação que «…​ o amor de Deus foi derramado em nossos corações…​». A reconciliação conquistou um amor especial de Deus para os seus filhos, para a sua Igreja.

A reconciliação promoveu o amor nos dois sentidos. Deus nos ama porque somos o seu povo e nós amamos a Deus, porque Ele é o nosso Deus. «Nós o amamos a Ele porque Ele nos amou primeiro». A reconciliação coloca amor onde havia frieza e indiferença. A reconciliação é bela, apaziguadora, encantadora.

Outro efeito da reconciliação é a Comunhão.

As pessoas com relações cortadas, em inimizade, não têm comunhão. Não saem juntos, não fazem piqueniques, não se encontram. Com Deus também foi assim. Antes da reconciliação não havia comunhão, a reconciliação foi a porta para a comunhão com Ele. Antes fugíamos de Deus, agora corremos para Ele.

Antes, não O queríamos. Agora, o que mais desejamos é a Sua presença! Deixamos as nossas casas com o seu conforto, nos dias de frio, ou de chuva ou de calor, para irmos à Sua casa, ao culto, por causa da comunhão. Porque almejamos muito a comunhão com Deus!

A doce comunhão com o nosso Pai celestial, com o nosso Senhor Jesus Cristo e com o Espírito Santo, que nós tanto apreciamos e buscamos, brota da reconciliação. Ela foi conquistada na reconciliação.

Coisa maravilhosa! Fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho. Foi o nosso amado Salvador que na cruz do calvário nos reconciliou com o Pai!

A Deus toda a glória!

Publicado em 2016-10-25

Para Trás

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