Jose Antonio Lourenço Jose Antonio Lourenço, A importância da adoração a Deus

A importância da adoração a Deus

Como adorar a Deus (2ª parte)

A adoração a Deus é muito importante para Deus e é também muito importante para nós.

A adoração é importante para Deus

Jo. 4:23

«…​Deus procura a tais que assim o adorem.» Deus se agrada, tem prazer na adoração pelos seus filhos.

A coisa que os pais mais gostam é que os filhos os reconheçam e lhe digam palavras bonitas com sinceridade: Por exemplo: «tu és o melhor pai do mundo!», «tenho um grande orgulho em ti!», «tu és a mãe mais linda!», «nunca conseguirei pagar o teu amor!», «pai, eu te amo muito!», «mãe, eu te amo muito!».

Palavras tão simples, que enchem o coração dos pais de alegria.

Deus aprecia muito que nós O reconheçamos, O exaltemos e glorifiquemos, que lhe confessemos o nosso amor. Isto é o que David fez (Sal. 16:2, 18:1-2, 30:1, 34:1-2, 40:8, 42:1-2). A Bíblia está cheia de adoradores, exaltando e magnificando a Deus.

A adoração verdadeira é como perfume, «cheiro suave», para Deus. No Velho Testamento havia um suave cheiro que subia dos sacrifícios no altar (Gen. 8:21, Lev. 1:9, 13 17), das ofertas de manjares (Lev. 2:2, 9) e do altar do incenso (Ex. 30:1-9). O povo do Senhor tinha a incumbência de entregar ao Senhor «o suave cheiro» através das cerimónias cultuais e da obediência aos seus mandamentos. O Senhor recebia o «suave cheiro» com prazer.

No Novo Testamento houve uma profunda mudança. A tipologia dos sacrifícios e das ofertas cultuais foram corporizadas em Jesus Cristo, na sua vida e na sua obra. Deus recebe agora «o suave cheiro» pela adoração dos crentes remidos, através de Cristo e do Espírito Santo (2 Cor. 2:15). «Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo…​». Entramos no santuário pelo «sangue de Jesus» (Heb. 10:19-20).

O Espírito Santo também tem um papel importante na adoração do crente, revelando-lhe as profundezas de Deus (1 Cor. 2:10). Através das línguas estranhas, leva o crente a «…​adorar a Deus na beleza da sua santidade.» (At. 10:45-46)

Deus está recebendo este perfume suave e agradável, que Deus muito aprecia, da adoração dos crentes e do culto da Igreja.

A adoração a Deus é também importante para nós.

A adoração a Deus traz grandes benefícios à nossa vida. Nós fomos criados para adorar a Deus. Somos por natureza adoradores.

Toda a gente adora algo! Alguns até confessam o que adoram:-«eu adoro comer.»; -«eu adoro futebol .»; outros adoram viagens, dinheiro, jogo, mulheres, tornam-se fãs de cantores e cantoras, de estrelas de cinema, etc. Esta é a adoração profana.

Depois há a adoração religiosa, em cada um escolhe o seu ídolo. Milhões vão para Fátima, adoram lá e levam uma imagem para casa para continuar a adorar.

Toda a gente precisa adorar, dar vazão a essa necessidade nata de adorar. Os gregos adoravam 30.000 deuses falsos, beijavam-nos e prostravam-se perante eles - era uma necessidade. A nossa sociedade está cheia de ídolos religiosos e profanos que as pessoas adoram, para extravasar a sua necessidade.

Só que a adoração falsa e vã, não agrada a Deus nem satisfaz o adorador. Nós fomos criados para adorar Deus em espírito e verdade. O salmista David mostra-se profundamente feliz, alegre, seguro e realizado na adoração a Deus (Sal. 16:2-11). Esta é a adoração verdadeira que agrada a Deus e satisfaz o adorador.

Cada um de nós precisa ser um verdadeiro adorador de Deus, em espírito e em verdade, porque isso satisfaz a Deus e realiza-nos a nós.

Espécies de adoração e de adoradores

Jo. 4:20-24

O Senhor Jesus fez referência a vários tipos de adoração: adoração falsa; adoração vã e adoração verdadeira. Isto implica também vários tipos de adoradores: adoradores falsos, adoradores vãos e adoradores verdadeiros.

No fundo existem dois tipos de adoração: adoração verdadeira que implica verdadeiros adoradores e adoração falsa que inclui os adoradores falsos e os vãos. Comecemos por analisar:

Adoração falsa.

No tempo dos Juízes, em Israel, a adoração aos ídolos foi um flagelo. O povo frequentemente deixava Deus e se voltava para os ídolos. A adoração aos ídolos é falsa.

Jeroboão, rei de Israel, fez dois bezerros de ouro e colocou um em Betel e outro em Dã para o povo adorar (1 Reis 12:28-30). A Bíblia diz que isto foi um pecado muito mau aos olhos do Senhor. Era uma adoração falsa na forma, porque não era «em espírito» e falsa no objecto, porque não era «em verdade», não era feita a Deus, mas aos ídolos «bezerros».

A tribo de Judá, o povo, também adorava nos altos e nos bosques, imagens e figuras que eram reprovadas por Deus - esta adoração era falsa.

Nos dias de Jesus, os samaritanos adoravam ídolos em Gerizim e Jesus reprovou a sua adoração e ensinou como devia ser a adoração verdadeira. (Jo. 4:23)

A adoração falsa ofende a Deus e não abençoa os adoradores. A adoração falsa é muito grave porque retira a adoração que pertence exclusivamente a Deus, coloca-a nos ídolos e é geradora de toda a corrupção e depravação da sociedade.

(Rom. 1:21-31) O nosso povo está dominado pela idolatria religiosa e profana, caminhando milhões para Fátima, milhões para o futebol, milhões para escutar bandas de musica! Para adorar a Deus são tão poucos!!!

O Senhor nos libertou da adoração falsa aos ídolos, para sermos os verdadeiros adoradores em espírito em verdade - Louvado seja Deus! Precisamos adorar mais e melhor.

Adoração vã

Jesus disse à mulher samaritana: «Vós adorais o que não sabeis…​» (Jo. 4:23). A adoração vã, não agrada a Deus, nem satisfaz o adorador. O Senhor fez uma lamentação pelo profeta Isaías que o Senhor Jesus voltou a referir (Is. 29:13, Mat. 15:8-9): «Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram…​». Os escribas e fariseus adoravam também o Senhor desta maneira!

O grande problema era que tinham deixado a Palavra de Deus e se orientavam pela tradição dos anciãos. Esta adoração estava certa quanto ao objecto pois eles pretendiam adorar a Deus, mas estava errada quanto aos adoradores que não eram verdadeiros, mas hipócritas e fingidos! Diziam coisas a Deus que não acreditavam nem sentiam. Mais valia estarem calados diante de Deus.

Os samaritanos também queriam adorar a Deus, mas não O conheciam (2 Reis 17:24-37). No segundo livro dos reis, a Bíblia conta a história dos samaritanos. Foram levados com os seus ídolos para Samaria, pelo rei da Assíria, quando levou cativo o povo de Israel (722 AC). Atacados pelos leões, por não temerem ao Senhor, pediram ajuda e receberam alguma instrução e procuravam servir a Deus e aos seus ídolos ao mesmo tempo. A adoração dos samaritanos era uma confusão completa! Misturavam os preceitos do Senhor com as suas superstições e crendices. Era uma adoração vã e falsa, porque «…​ninguém pode servir a dois senhores…​», não agrada a Deus, nem satisfaz o adorador. O Senhor detesta a adoração vã.

Adoração verdadeira

(Jo. 4:23-24) A adoração verdadeira é prestada directamente a Deus, só a Deus, «…​em espírito e em verdade.»

Porquê adorar só a Deus? A adoração é exclusiva da Divindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O louvor e a gratidão não são exclusivas de Deus, representam a nossa reacção a quem nos faz bem, mesmo aos humanos. A adoração é outra coisa. Nós louvamos a Deus pelo que ele nos faz e dá. Nós adoramos a Deus por aquilo que ele é! Deus é cheio de atributos, exclusivos da Divindade: Todo-Poderoso, Omnisciente, Omnipresente, Sábio, Verdadeiro, Misericordioso, Amoroso, etc. etc. Os seus atributos são em nosso favor, são para nosso bem, para nos salvar e ajudar! NÓS ADORAMOS A DEUS POR AQUILO QUE ELE É.

Deus não precisa dar-nos nada, para o adorarmos. A adoração provem do conhecimento de Deus, o louvor provém da gratidão. A adoração é exclusiva, porque os atributos são exclusivos. A adoração é mais profunda e requer mais concentração do que o louvor.

Pela salvação, nós louvamos. Pela paz, nós louvamos. Pela alegria, nós louvamos. Pela certeza, nós louvamos. Por Jesus Cristo, nós louvamos. Pelo Espírito Santo, nós louvamos. Pela Palavra de Deus, nós louvamos.

Pela sua Omnipotência, nós adoramos. Pela sua fidelidade, nós adoramos. Pelo seu amor, nós adoramos. Pela sua misericórdia, nós adoramos. Pela sua glória, nós adoramos. Pela sua Omnisciência, nós adoramos.

Podemos misturar louvor com adoração - aliás a adoração também contém louvor - mas convém distingui-los um do outro. A mãe dos filhos de Zebedeu não distinguiu (Mat.20:20.) e adorou fora da oportunidade. Job distinguiu muito bem o louvor da adoração – ele não tinha motivos para louvar, mas tinha para adorar (Job. 1:20-21). Se nós distinguirmos bem o louvor e a adoração, «quando o Senhor nos livra no dia da angústia» (Sam. 50:15) nós louvamos. Se não nos livra, nós ADORAMOS! Como fez Job. Se o Senhor responde à nossa oração como nós esperávamos, nós louvamos, se não responde , nós ADORAMOS! Se nos cura a enfermidade, nós louvamos, se não nos cura, nós ADORAMOS! Nos dias alegres, nós louvamos, nos dias maus nós adoramos. Nós devemos adorar por aquilo que Deus é.

Porque adorar em espírito e em verdade? Jesus respondeu à primeira parte da questão: adoramos em espírito porque Deus é espírito, mas o alcance desta expressão é mais vasto. A forma bíblica de adorar a Deus «em espírito», estabelecida pelo Senhor Jesus Cristo, representa a expulsão total de ídolos visíveis e intermediários entre Deus e o adorador. É o corte total com a adoração pervertida e depravada que é feita a Satanás em nome de Deus.

A carta aos Romanos (Rom. 1:18-32) relata que a depravação da adoração resulta na degradação e perversão mais profunda das pessoas, como o homossexualismo e o lesbianismo. As sociedades idólatras têm Deus como pano de fundo mas adoram toda a sorte de ídolos. A verdade terrível é que por detrás de cada ídolo está Satanás recebendo a adoração - que o adorador, nalguns casos, julga ser Deus (Deu. 32:16-17, 1 Cor. 10:19-20).

Adorar a Deus «em espírito» significa que adoramos como somos e com o que temos e que adoramos a Deus sem intermediários pois Deus aceita a nossa adoração assim.

A adoração ao Pai deve ser também em verdade. Isto significa adorar a Deus como Deus é. Para adorar «em verdade» não podemos adorar algo que Deus não é. Deus é como a sua Palavra o apresenta. Adorar em verdade implica conhecer o Deus da Bíblia, as suas promessas, a sua doutrina, a sua vontade e o seu plano. Quanto mais conhecemos a Bíblia, melhor adoramos a Deus. Para adorar o Pai em espírito e verdade, precisamos conhecê-lo.

Os reis de Israel e alguns reis de Judá, quando se desviaram dos mandamentos do Senhor, começaram a adorar os ídolos.

O rei Jeroboão quis iniciar um novo sistema de adoração e em vez de consultar a lei do Senhor, aconselhou-se noutras fontes (1 Re. 12:28-30). Embora tentasse copiar o que se fazia em Judá (verson 32), o resultado foi uma idolatria generalizada, muito má aos olhos de Deus. Os outros reis de Israel seguiram o seu mau exemplo, até que Deus, desgostoso, permitiu que fossem levados cativos para a Assira.

Em Judá, os reis que seguiram a lei do Senhor mantiveram-se fiéis ao culto e na adoração - entre eles temos os reis Asa, Jeosafá, Ezequias e Josias. Outros desprezaram a lei e tornaram-se igualmente idólatras - como Roboão, Acabe, Acaz, Manassés e Amom.

A Palavra de Deus foi sempre o guia seguro para os homens e mulheres que quiseram adorar a Deus em verdade. Ainda hoje não temos outro meio seguro para conhecer Deus e só assim o podemos adorar em verdade.

No Novo Testamento alguns crentes também se desviaram do Senhor: Demas, Himineu e Alexandre, Ananias e Safira e ainda um tal Deótrefes que se adorava a si mesmo. O método foi o mesmo: perderam o interesse pela Bíblia, a Palavra de Deus, desviaram-se dos seus conselhos e corromperam a sua adoração que deixou de ser em verdade.

Precisamos adorar sobre a bíblia aberta, extraindo dela mais conhecimento de Deus e as coordenadas para a nossa adoração. Adorar em verdade é adorar de acordo com a Escritura divina: esta não diz só o que Deus é mas também do que Deus gosta, e só assim podemos agradar-lhe.

Publicado em 2017-02-20

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