Jose Antonio Lourenço Jose Antonio Lourenço, Construindo a nossa eternidade

Construindo a nossa eternidade

Col 3:2

«Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;…​»

A nossa perspectiva terrena e material da vida cria-nos muitas dificuldades e levanta questões sem resposta, provocando-nos ansiedade e sofrimento.

A Bíblia oferece uma perspectiva eterna para a nossa vida e procura orientar-nos para que vivamos diariamente em função da eternidade. A vida humana na terra tem implicações para a eternidade. É muito claro nas Escrituras que é a nossa vida terrena que determina a nossa posição eterna, isto significa que tudo o que somos e o que fazemos vai definir o que vamos ser e fazer na eternidade.

Pelas razões aqui expostas, nós não devemos viver numa perspectiva de setenta ou oitenta anos, mas devíamos planear a nossa vida tendo em conta a eternidade.

A verdade é que, nós corremos no mundo, mas a coroa correspondente, vamos recebê-la no Céu. Cada dia da nossa vida deixa marcas e tem reflexos para a na nossa eternidade. Tudo o que teremos na eternidade foi adquirido na terra: a salvação que vamos gozar no céu foi adquirida na terra; o galardão que vamos receber no céu foi todo adquirido na terra.

e não tivermos em conta esta realidade concreta, poderemos ser ricos na terra por um curto espaço de tempo !

Se não tivermos em conta esta realidade concreta, poderemos ser ricos na terra por um curto espaço de tempo mas depois ter uma eternidade empobrecida!

Isto deve levar-nos a uma reflexão séria sobre a forma como estamos construindo a nossa eternidade.

Deus criou-nos para a eternidade

Sal. 139:13-18;23-24

A nossa vida terrena é apenas um teste que nos prepara, para a nossa vida no Céu. (1 Cor. 3:8;14, Heb. 10:35, 2 Jo. 1:8, Apoc. 22:12)

Deus salvou-nos na terra, para vivermos com Ele no Céu; Ele trabalha connosco na terra, para fazer-nos grandes na eternidade.

O profeta Isaías disse o seguinte: «Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os meus caminhos os vossos caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos» (Is. 55:8-9).

Deus trata connosco numa perspectiva eterna enquanto que nós tratamos com Deus numa perspectiva terrena. Daí o desencontro e a nossa dificuldade em entender os caminhos de Deus.

Nós pedimos cura, para prolongarmos os nossos dias na terra. Esperamos resposta às orações, muitas vezes sobre coisas terrenas. Aguardamos bênçãos, para utilizarmos na terra - mas em vez de bênçãos, por vezes recebemos tribulações e aflições.

Se Deus nos dá o que nós queremos, achamos que Ele é muito bom; mas se não nos dá, começamos a duvidar dele. Às vezes, Deus não nos cura porque simplesmente nos quer levar para o Céu ou tem outro propósito importante com a nossa doença. Às vezes, Ele não responde à nossa oração, como nós queremos, porque tem outro projecto melhor para nós e para a sua glória.

Deus abençoa-nos sempre, pois tem em vista não apenas a terra, mas também e principalmente, o céu.

Há situações em que as bênçãos de Deus têm como finalidade a nossa vida na terra - elas geram a paz, a alegria, a segurança, o pão de cada dia, etc. Há outras situações em que as tribulações, aflições, lutas e provas chegam à nossa vida, situações em que Deus trata connosco tendo em vista principalmente a nossa grandeza na eternidade.

Deus quer que vivamos bem na terra e que sejamos grandes no Céu.

Se vivermos só em função da terra, podemos ficar em desacordo com Deus algumas vezes. Mas se vivermos com a perspectiva da eternidade, estaremos sempre de acordo com as actuações de Deus.

Quando nós analisamos as coisas numa perspectiva terrena, achamos as que as bênçãos são «boas» e que as tribulações e aflições são «más». Mas Deus analisa as coisas na perspectiva da eternidade e considera todas as coisas «boas». A Bíblia diz: «…​todas as coisas contribuem juntamente, para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto. Porque (…​) a estes também glorificou» (_Rom. 8:28-30).

É muito difícil para nós entender que algumas coisas que consideramos terríveis contribuam para o nosso bem! «A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada» (Rom. 8:35), se as interpretarmos numa perspectiva terrena e temporal, parecem-nos terríveis. Mas numa perspectiva da eternidade, todas as coisas passam a considerar-se boas e para nosso bem. Deus até pode tornar uma coisa que nos parece má numa bênção maior.

Paulo e Silas (At. 16:23-25) foram presos e açoitados em Filipos - uma coisa terrível, numa perspectiva humana e terrena! Mas como eles tinham a perspectiva da eternidade consideraram aquelas tribulações como uma enorme bênção e começaram a cantar hinos a Deus.

Estêvão (At. 7:59-60) foi apedrejado até à morte. Deus não o livrou! - uma coisa má , do ponto de vista terreno. Mas do ponto de vista eterno, foi um acto de glória muito excelente! Numa perspectiva terrena, Estêvão teria fugido ou negado a sua fé; mas ao contrário, ele optou por construir a sua eternidade e morreu regozijado, dando louvores a Deus.

É assim importante que nós analisemos as coisas que nos acontecem não numa perspectiva apenas terrena, mas numa perspectiva de quem está construindo a sua eternidade (Mat. 5:10-12).

Certas coisas só se podem entender na perspectiva da eternidade

Acontecem coisas dramáticas na vida dos crentes: há crentes morrendo de cancro, há jovens crentes que morrem em acidentes, há bebés, filhos de crentes, com doenças sérias, etc Muitos crentes enfrentam grandes tribulações e aflições para as quais não encontram uma explicação cabal, numa perspectiva terrena. E isto pode abalar a sua fé.

No entanto, acontecem coisas na terra que só o Céu explica.

O sofrimento

Por vezes o sofrimento não tem uma razão visível ou compreensível! Job, por exemplo, passou por um enorme sofrimento sem que houvesse uma razão visível ou compreensível . No final, Deus falou com Job mas não lhe indicou a razão do sofrimento que lhe sobreveio - só no Céu iria saber.

Nós passamos por sofrimentos que não têem explicação a nível terreno. Por exemplo quando Deus chama os nossos queridos, depois de termos orado tanto por eles e até jejuado (2 Sam. 12:15-18). Quando há pais crentes carregando filhos em cadeiras de rodas a vida inteira! Mas Deus tem um plano em tudo isto, que só o Céu explicará.

Na perspectiva da eternidade, o sofrimento tem objectivos. A Bíblia diz: «Se sofrermos, também com ele reinaremos…​» (2 Tim. 2:12); «…​se com ele padecemos, também com ele seremos glorificados» (Rom. 8:17).

As tribulações

As tribulações, de que nós não gostamos nada e que evitamos a todo o custo, são essenciais para nos valorizar na eternidade. «…​por muitas tribulações nos importa entrar no Reino dos Céus» (At. 14:22).

Se Deus tratasse connosco numa perspectiva terrena, livrava-nos das tribulações todas. Mas como Ele trata connosco em função da eternidade, envia-nos tribulações para aumentar a nossa glória no Céu. Nós oramos para que Deus nos livre da tribulação, numa perspectiva terrena; mas Deus pode não fazer o que queremos porque nos ama, porque numa perspectiva da eternidade Ele tem outros objectivos (2 Cor. 1:3-4).

Se nós também encararmos as tribulações numa perspectiva da eternidade, o nosso comportamento será diferente! (Rom. 5:3-4)

As aflições

As aflições fazem-nos sofrer, elas machucam-nos. Parece que Deus não gosta de nós e nos abandonou. Mas na perspectiva divina, elas são uma bênção para nós – elas são uma forma de aumentar rapidamente o nosso património no Céu (Rom. 8:18). «Para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente, não são para comparar com a glória que em nós há-de ser revelada.»

As tribulações e aflições na perspectiva terrena fazem-nos chorar; mas vistas na perspectiva do Céu, elas fazem-nos cantar. A Bíblia diz: «Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus.» (Mat. 5:11-12) «Mas alegrai-vos no facto de serdes participantes das aflições de Cristo: para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.» (1 Ped. 4:13, 2 Cor. 1:5)

A Bíblia diz ainda: «Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra.»

Assim, não tenhamos pena de nós mesmos no meio do sofrimento, nas tribulações e aflições; antes devemos louvar e adorar a Deus pela oportunidade de crescer, pois estamos construindo a nossa eternidade.

Encarando as situações na perspectiva da eternidade

Os problemas e dificuldades vistos em função da nossa vida terrena, apresentam-se com dimensões aumentadas. Jacob lamentou-se a Faraó, dizendo: «…​poucos e maus foram os dias dos anos das minhas peregrinações» (Gen. 47:9). Uma doença que dure seis meses ou um mês internado no hospital representam muito tempo numa vida tão curta como é a nossa. As tribulações e as aflições que às vezes nos tiram o sono, tornam as noites muito longas. O sofrimento faz-nos contar as horas e torna os nossos dias mais compridos.

Na perspectiva terrena, as situações difíceis ganham proporções maiores. Quando vistos na perspectiva da eternidade, elas tomam a sua dimensão real, ficam mais pequenas. Um mês no hospital, uma noite sem dormir, oito dias de aflições, quando vistas da eternidade, são pontos minúsculos.

Nós precisamos analisar as situações que nos acontecem à luz da eternidade e, nessa perspectiva, medir a sua dimensão e decidir o nosso comportamento.

A Bíblia diz: «bem-aventurados os que sofrem perseguição (…​) porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus» (Mat. 5:10-12).

Estas situações, vistas na perspectiva terrena, parecem-nos terríveis, pavorosas e perigosas; fazem-nos querer gritar e fugir.Mas na perspectiva da eternidade, essas situações não são graves e são até motivo para ficarmos contentes e para cantarmos louvores a Deus. O apóstolo Paulo escreveu: «As aflições deste tempo presente, (à luz da eternidade) não são para comparar com a glória que em nós há-de ser revelada» (Rom. 8:18).

As nossas muitas tribulações, está escrito, «…​são leves e momentâneas e produzem para nós um peso eterno de glória mui excelente» (2 Cor. 4:17). Por isso, em vez de chorarmos e lamentarmos, devemos alegrar-nos e regozijar-nos. Os crentes fiéis podem contrair doenças graves e o Senhor até pode curá-los; mas se não curar, eles receberão um corpo novo no céu (Fil. 3:21). Assim eles podem cantar louvores e adorar a Deus, mesmo quando estão doentes e até às portas da morte!

Precisamos portanto analisar os nossos problemas à luz da eternidade e reagir sempre com louvores e adoração a Deus. A própria morte não constitui um problema para o crente, mas é de facto a solução de todos os seus problemas. Deus sabe tudo e pode tudo - se Ele não resolver o nosso problema durante a nossa vida, o problema ficará resolvido com a morte. Há situações e orações que Deus ainda poderá responder depois da nossa morte.

Nós somos eternos e os nossos maiores valores são também eternos. Por isso, a nossa vida curta e frágil não deve levar-nos ao desespero profundo e ao desaire.

Portanto, «pensemos nas coisas que são de cima e não nas que são da terra».

Viver, contruindo a eternidade, muda a nossa escala de valores

O mundo actual tem a sua escala de valores e o Céu também. Só que a escala de valores do Céu, de Deus, não só não é coincidente com a escala de valores do mundo, mas em muitos casos é exactamente inversa e até oposta à escala de valores terrenos.

Na terra, como diz o ditado, «se pouco tens pouco vales, e se muito tens muito vales» - ou seja, são considerados grandes, os famosos e os poderosos.

No Céu, a escala de valores é diferente. Os grandes são os humildes, como as crianças (Mat. 18:4); é maior quem serve do que aquele que é servido (Luc. 22:27). No mundo engrandecemo-nos recebendo, enquanto que no Céu engrandecemo-nos dando. No mundo sobe-se para descer e no Céu desce-se para subir (Filp. 2:7-9).

No mundo os tesouros são materiais, perecíveis e passageiros. Mas no Céu os tesouros são espirituais, incorruptíveis e eternos. Por esta razão, a Bíblia diz: «Há quem se faça rico não tendo coisa nenhuma, e quem se faça pobre tendo grande riqueza» (Prov. 13:7). Deus avalia as pessoas de forma diferente! Jesus Cristo, falando acerca de João Baptista, homem simples e invulgar, disse: «…​não apareceu alguém maior do que ele…​» (Mat. 11:11). O que fez João Baptista grande aos olhos de Deus foi a sua fidelidade, obediência, santidade e a sua entrega total ao serviço de Deus.

A nossa escala de valores deve ser aferida com a escala de valores de Deus; devemos viver em função dos valores de Deus, porque só estes contam para a eternidade.

Construir a nossa eternidade significa pugnar pela humildade, fidelidade a Deus e à sua Palavra e consagração ao seu serviço. «Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra…​» significa procurar os valores reais, preocupar-nos com os valores espirituais porque são eternos e porque contam para a eternidade.

Conclusao

Se vivermos só para esta terra e para as coisas terrenas, a nossa vida ficará efémera.

Deus criou-nos para sermos eternos, para a eternidade. É nessa perspectiva que Deus trata connosco.

É importante interpretarmos e analisarmos as coisas em função da eternidade e reagirmos como tal. A eternidade confirmará «que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus». Nessa altura compreenderemos tudo muito bem.

É durante a nossa curta vida terrena que nós construímos a nossa eternidade, que nós transportamos para lá os nossos valores. Quando entrarmos na eternidade já não podemos acrescentar ou mudar nada. Os tesouros no céu, ajuntam-se na terra. Se viermos a chorar no Céu, será por não termos feito mais na terra. Preocupemo-nos em transferir todos os dias alguns valores para a eternidade! «Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos se não houvermos desfalecido».

Vamos construir agora, durante a nossa vida terrena, a nossa eternidade. Façamos todo o bem que podermos. Contribuamos com o máximo para a obra de Deus. Investamos o máximo no Reino de Deus. Façamos bem aos pobres. Amemos o nosso próximo. Aproveitemos a nossa vida tão curta para construir uma eternidade brilhante e frutuosa!

Publicado em 2017-07-14

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